13 de dezembro de 2021
Mariana Pinho
Os interesses da indústria do tabaco são irreconciliáveis com os da saúde. A interferência dessas empresas é um sério obstáculo para o progresso das medidas de controle do tabaco nos países, e por isso, os governos devem proteger as políticas públicas. Como forma de avaliar essa proteção, o Centro Global para Boa Governança em Controle do Tabaco (GGTC) coordena anualmente o Índice Global de Interferência da Indústria do Tabaco, uma publicação que reúne dados de pesquisas realizadas por organizações não governamentais.
O relatório global foi lançado em novembro de 2021 e contou com informações do período de janeiro de 2020 e março de 2021 em 80 países, incluindo o Brasil, cujos dados foram coletados sob a coordenação da ACT Promoção da Saúde e colaboração do Observatório sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde da Fiocruz. Houve também uma versão regional reunindo informações de 18 países da América Latina. O grupo desenvolveu um website com o relatório e vídeos e infográficos relativos aos achados.
Agora, lançamos uma nova publicação que inclui e analisa apenas os dados do Brasil. Ela já está disponível em nosso site.
Quanto mais ações de interferência da indústria são identificadas, maior a pontuação que o país em questão recebe. Nesta edição, o Brasil ficou na 43ª posição, com 58 pontos, 10 pontos a mais que a edição 2019-2020 e 24 que a de 2018-2019.
Alguns fatores que podem ter contribuído para essa piora são:
Mesmo que o Brasil disponha de mecanismos formais para proteger as políticas públicas dos interesses das empresas de tabaco, é preciso ampliar o conhecimento por parte dos oficiais governamentais quanto ao artigo 5.3 da CQCT, que dispõe sobre medidas para impedir a interferência da indústria, e proibir as atividades de responsabilidade social corporativa relacionadas à indústria do tabaco
Clique aqui para acessar o Relatório do Brasil na íntegra e confira abaixo alguns gráficos com as informações reunidas no Índice:

Comparativo dos resultados obtidos pelo Brasil nos últimos três anos.

Desempenho dos países avaliados pelo Índice.